
Fundador da @juvtrabalhista. Brasileiro, tudólogo, palpiteiro e do contra. Torço mesmo é pra explosão dessa rede social.
Rio de Janeiro, Brasil
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Eu // Minhas posições filosóficas
Não posso dizer que esperava o resultado. Preciso me aprofundar em filosofia não-política.
Outra distorção da historiografia de oposição é essa ideia de "faces de Vargas". Vargas não teve faces, no mínimo teve fases.
Seus diários não deixam mentir. Eles mantém uma tônica.
Era alguém de formação ideológica consolidada, com personalidade política não muito diferente do que se esperaria de um gaúcho por tantas décadas influenciado pelo castilhismo e posteriormente influenciado pelo nacionalismo da Primeira República.
De fato, se portava como uma esfinge. Agia não como se tivesse várias faces, mas como se não tivesse face alguma. Mas hoje, tendo ele já morrido e com os historiadores já tendo tido acesso à sua intimidade, já não é mais possível essa relativização exagerada de quem foi Vargas.
O Vargas de 1950 é o Vargas envelhecido de 1937, que é o Vargas envelhecido de 1930, que é um humano, que como qualquer outro, envelheceu.
Quem respeita o legado de Vargas, precisa reconhecer seu legado pela linha contínua que foi, não por como um projeto caótico e sem coesão, que se adapta "a' vontade do freguez"...
Replying to @nullaveritas
Se for a face de Vargas do Estado Novo. Sim! Fechou o regime. O Vargas pós segunda guerra é outra coisa, liberdade a democráticas. Qual é o mistério?
O mistério é não perceber a contradição de que o Estado Novo não foi um mero fechamento do regime político, mas também uma abertura autoritária do Estado à sociedade.
Aquele dominado pelo vocabulário liberal vai chamar de democracia exclusivamente os regimes que se organizam por eleições entre elites dirigentes. Esse significado eleitoreiro, no entanto, sequer dialoga com a etimologia da palavra democracia, que significa abstratamente "poder do povo".
Se poder do povo é o que significa democracia, o Brasil não conhecia regime político que mais tenha empoderado a população comum até a implementação do Estado Novo.
Inegavelmente instituído de maneira arbitrária e autoritária, e inegavelmente mantido com práticas violentas e abusivas, a face menos comentada do Estado Novo foi o fato de que este também foi o primeiro regime que garantiu as medidas de integração social no Brasil.
Isto é, entendendo que os regimes anteriores tratavam a questão social e do trabalhador como caso de polícia, e falavam abstratamente de direitos civis e liberdade política sem qualquer medida efetiva para o combate aos mandonismos locais e para o desenvolvimento da população não votante, o Estado Novo foi o primeiro regime da nossa história a se abrir para os trabalhadores, para o desenvolvimento nacional e para novos grupos e quadros dirigentes.
A expansão da burocracia federal e a incorporação de técnicos, intelectuais e setores das classes médias alteraram a composição e o funcionamento do Estado. O poder público tornou-se uma via de ascensão e participação para grupos que não dependiam exclusivamente dos mecanismos tradicionais de representação oligárquica. O padrinho começou a ser substituído pelo concurso. O QI (Quem Indica) começou a ser substituído pela educação. O coronel começou a ser substituído pela nação. Nesse sentido, não só foi mais efetivo que a Primeira República (1889-1930), mas também mais efetivo que a Segunda (1930-1937).
Não mentem os que acusam o Estado Novo de ter sido um regime autoritário. Distorcem, no entanto, aqueles que o acusam de ter substituído a democracia no Brasil. Pelo contrário: garantiu-a. A partir das bases sociais concretas avançadas no Estado Novo, o Brasil teria depois sua experiência percebida como a mais democrática, a Quarta República (1945-1964).
Replying to @nullaveritas
Se for a face de Vargas do Estado Novo. Sim! Fechou o regime. O Vargas pós segunda guerra é outra coisa, liberdade a democráticas. Qual é o mistério?
MELHORES PARTIDOS DA HISTÓRIA DO BRASIL:
Nenhum
(lista montada com base no critério democracia interna efetiva)
Nogueira Louro retweeted
Se eu governasse, qual seria minha relação com cada partido?
⬛️🟥🟧🟨🟩🟦🟪
PT/PCdoB - 🟪
PSB - 🟪
PV - 🟪
PSOL/REDE - 🟪
PDT - 🟪
MDB - 🟪
PSDB/CIDADANIA - 🟪
UB - 🟪
PP - 🟪
PRD/SD/AVANTE - 🟪
PL - 🟪
PSD - 🟪
PODE/REP - 🟪
MISSÃO - 🟪
NOVO - 🟪
DC - 🟪
PMN/AGIR/PMB - 🟪
Pequenos poderes sobem mais à cabeça do que grandes poderes.
Quem sente ter pequenos poderes tende a querer ter grandes. Quer ascender, conquistar mais espaço, provar que merece mais do que lhe foi concedido. Tem fome de poder. E quem tem fome, tem pressa. Sobretudo quando acredita que permanecer onde está é uma forma de humilhação.
Já quem sente ter grandes poderes, por sua vez, acomoda-se. Se não for megalomaníaco, passa a preocupar-se menos em conquistar e mais em conservar. Mas, quando a segurança se converte em complacência, acaba caindo diante daqueles que ainda têm fome, pressa e disposição para arriscar.
Talvez isso explique por que há países nos quais a política nacional parece relativamente pacificada, mas, quando se observa a vida cotidiana, encontram-se condomínios, sindicatos, associações e pequenas organizações cujas disputas produzem mais rancor, perseguições e sangue do que certas revoluções.
Porque o poder não se mede apenas pelo que permite fazer, mas também pelo que representa para quem o exerce. Quanto menor o universo em que alguém manda, maior pode ser a parcela da própria identidade que deposita no direito de mandar. Uma contestação deixa de ser uma divergência e passa a ser uma afronta; uma derrota, em vez de uma alternância, torna-se uma humilhação.
O grande poderoso pode negociar porque tem muito a preservar. O pequeno poderoso pode destruir tudo porque tem muito a provar.
Assim, um grande ditador pode ter o poder de governar um país inteiro, enquanto um coroné pode precisar controlar até o último detalhe de um pequeno mundo para sentir que é alguém.
E, às vezes, é justamente nesse pequeno mundo que o poder revela sua face mais mesquinha e feroz.
Você sabe o que significa evolução?
Pois é. Ela não existe só na biologia.
Pra chegar no interior do nordeste, primeiro precisaria pisar no nordeste.
Até Getúlio, políticos nacionais só ligavam para Rio, Minas e São Paulo. A Revolução de 30 foi apoiada por RS e também por Paraíba não por acaso.
Getúlio foi o primeiro candidato a presidente a fazer campanha no Nordeste.
Mais do que isso. Foi o primeiro candidato a presidente não nascido no Nordeste a PISAR no Nordeste.
A maior parte das estruturas usadas por Lula para fazer política no Nordeste foram criadas por Getúlio, bebê. Se Lula financia a região, criou o "Chamada Nordeste", incentivou a agricultura familiar, incentivou o microcrédito rural, através do Banco do Nordeste, foi porque antes disso tudo, Getúlio CRIOU o Banco do Nordeste.
Getúlio andou para que Lula pudesse correr. E mesmo assim o velho parece que não corre, só desfila.
O Brasil não nasceu com Lula. Nem Lula, e nem Getúlio, descobriram o Nordeste. Entendo seu ressentimento com sua infância no sertão e tudo mais, afinal, o passado pro pobre era uma merda mesmo e o presente continua sendo. Mas agora que superou sua infância, tem a oportunidade de estudar a história do desenvolvimento da sua região para garantir que ele continue.
Faça isso e pense duas vezes antes de palpitar hostilmente de novo contra o legado de seu país por aí.
A perseguição de Vargas contra imigrantes foi mínima em comparação aos estadistas de seu contexto. Foi ele, inclusive, um incentivador da imigração, desde que planejada, integrada e voltada ao desenvolvimento nacional. Os imigrantes ganharam muito na Marcha para o Oeste.
A verdade é que os Aliados todos oprimiram imigrantes ítalo, teuto e nipo brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial.
Não sei o que as pessoas que tentam individualizar em Vargas a questão da perseguição à imigrantes de países do Eixo no século passado pensam sobre a Segunda Guerra Mundial, mas essa foi uma guerra realizada no auge do chauvinismo.
Canadá, Reino Unido, México, URSS, Austrália, EUA... Todos realizaram políticas persecutárias que envolveram desde confisco de bens com deportação até campos de concentração. Desses todos, o Brasil ainda conseguiu ser um dos mais brandos, e não à toa essas comunidades perseguidas se mantiveram crescendo no pós-guerra.
E bem, acho que não preciso entrar no mérito do que os países do Eixo faziam com imigrantes vindos de países dos Aliados...
heil nazistas
aqui é o dr Vargas
envio este telegrama junto com uma judia grávida
matem ela pra mim por favor
na cabeça do petista que quer que seu ídolo seja maior que a história, as coisas ocorreram assim
Replying to @nullaveritas
Com base no seu perfil público como fundador da Juventude Trabalhista e em declarações anteriores, você rejeita a classificação estrita de esquerda (e também de direita ou centro). O posicionamento se alinha mais a um trabalhismo nacionalista e solidarista, fora do espectro tradicional listado.
Nogueira Louro retweeted
Daí Getúlio Vargas amarrou olga grávida ligou pra Hitler e disse assim 'toma ai de presente essa mulher pra vc matar na camara de gas' e em seguida eles começaram a rir numa gargalhada maquiavélica
petista:
no nordeste dos anos 50 ngm conhece o tal vargas!!!
o tal vargas respondendo o invejoso, diretamente de 1950:
"POVO DE ARACAJU!
TRABALHADORES DO BRASIL!
Ao rever esta cidade não me surpreendem vossos aplausos, pois sempre me recebestes com o carinho e a simpatia, que são próprios da vossa índole hospitaleira e cordial. Tais manifestações, espontâneas e calorosas, traduzem um voto de confiança que tem o sentido de um julgamento, contrapondo-se às injustiças, parcialismos e às invectivas da calúnia.
Não conseguiram os falsos profetas, nem os leguleios das frases feitas, marear o conceito em que sempre me tivestes. Vejo, com satisfação e orgulho, que continuo a contar convosco, apesar das arremetidas dos inimigos que não lograram modificar o vosso sentimento em relação a mim; que, posso dizer de consciência tranquila, sempre agi inspirado nos supremos interesses da Pátria e do seu povo.
Sergipe se destaca na vida pública brasileira pela sua grande projeção intelectual. É a terra da inteligência criadora, das cerebrações privilegiadas, cujo brilho se reflete em todos os quadrantes da Pátria.
Há flagrante contraste entre a pequena extensão física do Estado e o alto espírito de seus filhos.
Estadistas eminentes daqui saíram para os mais elevados postos da República; ilustres juristas aqui nasceram, com o destino traçado para grandes realizações no campo da cultura; escritores dos mais aplaudidos viram neste solo o primeiro raio de luz; professores dos mais acatados aqui deram os seus primeiros passos e daqui surgiram movimentos de fortes e profundas repercussões, marcando novos rumos à intelectualidade brasileira. Por tudo isso, o vosso pequeno-grande Estado ocupa lugar de realce na minha admiração e no meu respeito.
Sergipe tem a sua economia precipuamente alicerçada na indústria açucareira, para cujo desenvolvimento e segurança muito contribuiu o meu Governo, com a execução de vasto plano de defesa, que libertou os produtores das bruscas oscilações de preços causadas pelas especulações dos intermediários. Assegurei-lhes, inicialmente, quando se debatiam em grave crise, crédito destinado a suprir, em limites razoáveis, a carência de numerário que afligia e sufocava as usinas. Em complemento dessa medida de emergência, criou-se um organismo de defesa, o Instituto do Açúcar e do Álcool, cujos relevantes serviços prestados à produção açucareira nacional bem conheceis, pois dele colhestes, também, justos benefícios.
Igualmente ao trabalhador do campo, que vivia à sombra das usinas, martirizado e sofredor, porque as dificuldades trazidas pela crise a ninguém poupavam, foi garantida situação mais tranquila, com o reconhecimento de direitos fundamentais pelo Estatuto da Lavoura Canavieira. E seria injusto se assim não se tivesse procedido, porque o homem do sertão, sempre ao dispor da Pátria, pronto a atender aos seus reclamos na ocasião de perigo, bem merecia e merece o amparo e a assistência do Governo, como um imperativo de gratidão do resto do Brasil. (...)
De um sistema de transportes bem organizado sempre se beneficiam as regiões produtoras. Sergipe, nesse particular, já muito tem recebido das obras que meu Governo planejou e iniciou; e mais ainda receberá das que iremos executar no futuro.
O voto secreto é ainda uma das conquistas da revolução de 30. E é livre, porque ninguém pode devassá-lo. Na consciência de cada um, antes do próprio ato de votar, se fará a escolha daqueles que deverão ser os depositários da confiança e representantes da vontade soberana do povo. (...)
Obrigado."
Discurso pronunciado por Getúlio Vargas em Sergipe por ocasião de sua campanha presidencial. 09/08/1950
Você já viu ditador sem poder? Se não viu, esse foi Getúlio Vargas. Se Getúlio foi um ditador, era um ditador que não ditava.
Quem estuda Getúlio por fontes múltiplas descobre que seu poder era pouco em comparação ao que se pinta no retrato histórico, quase sempre colocado como se tivesse sido ele um Napoleão dos trópicos.
Mas o retrato é romanceado. Suas confissões dizem outra coisa sobre os bastidores.
“Estou a mercê do Exército, sem força que o controle, e sem autoridade pessoal e efetiva sobre ele. Estou só e calado para não demonstrar apreensão”. Assim escreveu Getúlio, em 1939, em pleno Estado Novo, momento lembrado como o ápice do seu poder enquanto estadista.
Napoleão era poderoso, Getúlio não. Não tinha a gravidade própria nos círculos de poder, necessária para os tiranos. Na maioria das ocasiões, seu poder advinha mais dos seus contextos do que por suas vontades.
Em 1930, não tinha ele vontade de fazer revolução. A Aliança Liberal sim. Ocorre a Revolução de 30.
Em 1934, não tinha ele vontade de aceitar a Constituição de 34. A Assembleia sim. Foi promulgada.
Em 1937, tinha ele vontade de ter mais autonomia. Deu o golpe. Compromissado com o exército e com a burocracia, não teve a autonomia que desejava.
Em 1945, não tinha vontade de terminar o Estado Novo. O Exército sim. Foi deposto. Avesso ao partidarismo tradicional, também não queria vincular-se a um partido que o limitasse. Assim, o PTB surge inspirado em Vargas, mas apesar dele.
Em 1954, queria governar. Mas a oposição também. Desgastado, matou-se.
Isso, por si só, não derruba a impressão de um Getúlio ditador.
É claro que conseguiu realizar a própria vontade em diversos momentos de sua trajetória. Seu projeto nacional e o próprio trabalhismo são legados dela. Essa vontade, no entanto, perdia nos momentos mais decisivos.
Como seria ditador de verdade na terra dos coronéis? Como seria Napoleão em um país que não tinha sequer derrubado a Bastilha? Onde ficaria um projeto nacional sem ter conseguido romper com os oligarcas estaduais? Se tentou ser ditador, não conseguiu. Se conseguiu, não foi em tempo útil. Foi sim: rosto de uma ditadura, representante de oligarquias. Dificilmente um ditador, dificilmente um autocrata.
Em sua carta testamento, desabafou. Deixou a missão que tentou para as próximas gerações e a vida para deixar a história.
Para Max Weber, um indivíduo com poder é aquele com a capacidade de impor a própria vontade em uma relação social.
Getúlio tinha poder para transformar o Brasil, mas nunca teve poder suficiente para transformar as forças que governavam o Brasil em instrumentos de sua vontade.
E, melancólico como era, Vargas tinha poucas vontades. Das poucas que tinha, poucas sentiu ter realizado. Getúlio não tinha poder. O poder tinha Getúlio.
Lula é aquilo que Getúlio não foi?
Não irei focar no mérito de quem é maior. Parece-me claro que Getúlio, símbolo refundador de uma nação, é maior que Lula, um estadista que deixará para o Brasil dos próximos séculos um legado líquido, protegido das relativizações historiográficas, em boa medida, por uma jornada do herói inegavelmente bem escrita, com altos e baixos, e inclusive mais fascinante que a do homem Getúlio.
Mas é mais interessante perceber que tanto Getúlio quanto Lula, enquanto pessoas, não são absolutamente nada do que seus fãs acreditam que foram.
O primeiro era, na verdade, um depressivo neurastênico. Lesado, morreu praticamente sem amigos. Como ele mesmo descreveu, foi escravo do povo, mas, mais precisamente, escravo da sorte. Lamentou o próprio sucesso. Sempre planejou o próprio suicídio. Como temia, não conseguiu trazer estabilidade à ordem que fundou.
Já o segundo, similarmente, também é vítima do próprio sucesso: um sobrevivente que acabou por confundir a própria sobrevivência com a sobrevivência do projeto que representa. Após tantas derrotas, viu-se obrigado a renunciar à própria origem política para jogar o jogo dos tronos do Brasil. Quando finalmente ganha, em 2002, já não era o mesmo Lula que parecia sonhar ser. Figura decorativa da ordem que teve de gerir, tornou-se guardião da “Era FHC”, período que, pela falta de carisma e imponência do antecessor, acabou trocando de nome para “Era Lula”.
Lula ainda está vivo, mas talvez tenha tido um destino politicamente pior que o de Getúlio: submetido a um partido vacilante e a um regime travado, tornou-se o pelego que tanto julgou combater quando acusava os trabalhistas.
Talvez por isso, ao fim da vida política, como quem busca perdão com um santo, Lula tenha buscado se reconciliar com o símbolo Vargas. Ousou escrever o prefácio do novo livro de Lira Neto sobre o ditador que nada ditava. Volta e meia, cita Getúlio elogiosamente em lapsos sem muito contexto. Quer se ver no espelho. O escravo do próprio símbolo aceitou o escravo do próprio símbolo.
No fim, os dois são isso: representações políticas. Essas representações não podem ser descartadas por contradição com os fatos históricos, porque não existem apenas na imaginação dos seguidores. Produzem efeitos concretos, organizam identidades, condicionam escolhas e sobrevivem aos próprios homens.
Quem não separa o homem de sua representação tende a falhar na interpretação da história e de seus mitos.

































